domingo, 25 de fevereiro de 2018

Década de 20 - O Charleston


O Charleston é uma dança surgida na década de 1920 pouco depois da Primeira guerra mundial, sendo um divertimento dos cabarés, onde as mulheres dançavam e mostravam mais as pernas porque as saias eram mais curtas e tinham o cabelo à garçonne. O nome se origina da cidade de Charleston, na Carolina do Sul.
Dança vigorosa popular, caracterizada por movimentos dos braços e projeções laterais rápidas dos pés. Originalmente era dançada pelos negros do sul dos Estados Unidos e recebeu o nome da cidade de Charleston, na Carolina do Sul.
Dançavam em pistas de clubes, como o Cotton Club, ao som de uma orquestra formada exclusivamente por negros e freqüentada por uma elite branca. As mulheres agitam os vestidos curtos, de cintura baixa e muitas franjas e, ao som do charleston, balançando os longos colares de cristal ou ondulando as plumas e os leques. As mãos cruzavam e descruzavam sobre os joelhos, levemente curvados cobertos por meias de seda em tons de bege, sugerindo pernas nuas, que se encostam e se afastam, seguindo o ritmo frenético. Num outro passo, levantavam as pernas e finalizavam com os agitos das mãos no ar imitando pandeiros.
O chapéu, até então acessório obrigatório, ficou restrito ao uso diurno. O modelo mais popular era o "cloche", enterrado até os olhos, que só podia ser usado com os cabelos curtíssimos, a "la garçonne", como era chamado. A mulher sensual era aquela sem curvas, seios e quadris pequenos, que soubesse se agitar na hora da dança e executar passos mais audaciosos com seus parceiros.


"La mer" de Charles Trenet - 1943

Outro grande artista contemporâneo de Saint-Exupéry foi Charles Trenet (Narbona, 18 de Maio de 1913 – Créteil, 19 de Fevereiro de 2001)
"Quem veio ao meu show está dispensado de ir a meu enterro", disse Charles Trenet, pouco antes de morrer em sua última apresentação na sala Pleyel (Paris, abril de 2000).

Vítima de preconceito por assumir abertamente a sua homossexualidade e obrigado a provar que não era judeu na França ocupada pelos alemães, Trenet produziu uma série de hits.
Um deles - Douce France - virou hino da Resistência, durante a ocupação nazista.

Cantor, compositor, letrista de cerca de mil canções, artista plástico, poeta e escritor, revolucionou a música francesa nos anos 40 com versos inspirados e estética semelhante aos poemas de Paul Éluard e Jacques Prévert. Por sua vez, influenciou compositores e intérpretes que lhe sucederam, como Charles Aznavour, Jacques Brel e Georges Brassens.

La Mer (O Mar, em português) é uma canção célebre composta e interpretada originalmente pelo cantor e compositor .

Trenet escreveu a letra dessa canção em um trem em 1943 enquanto viajava pela costa mediterrânea francesa voltando de Paris para Narbona. Supostamente a composicão demorou 10 minutos para ser finalizada, em papel higiênico fornecido pela SNCF (Rede Ferroviária Francesa). Leo Chauliac ajudou na composição da melodia. E foi originalmente publicado por Raoul Breton. Apenas em 1946 que Charles Trenet gravou a música. (tradução livre do verbete "La Mer (song)" da Wikipedia em inglês)

A canção possui mais de 400 versões nas mais diversas línguas. Uma das principais adaptações é a de Jack Lawrence, intitulada, na língua inglesa, de Beyond the Sea, interpretada notadamente por Bobby Darin em 1960.

La Mer já foi utilizada como trilha sonora de diversos filmes e já foi citada (e interpretada) no seriado Lost, no 12º episódio da primeira temporada, intitulado Whatever the Case May Be.

Em 2007, o filme As Férias de Mr. Bean, protagonizado por Rowan Atkinson como Mr. Bean, destaca a música em seu encerramento. Também em 2007 é utilizada na banda sonora do filme Le Scaphandre et le Papillon. No final do filme O Espião que sabia demais é executada a versão de Julio Iglesias.

Você ouve no vídeo o próprio Trenet interpretando a canção, com a tradução em português na tela.

Leia abaixo a letra em francês para acompanhar

La mer
Qu'on voit danser le long des golfes clairs
A des reflets d'argent
La mer
Des reflets changeants
Sous la pluie


La mer
Au ciel d'été confond
Ses blancs moutons
Avec les anges si purs
La mer bergère d'azur
Infinie


Voyez
Près des étangs
Ces grands roseaux mouillés
Voyez
Ces oiseaux blancs
Et ces maisons rouillées


La mer
Les a bercés
Le long des golfes clairs
Et d'une chanson d'amour
La mer
A bercé mon coeur pour la vie



CIDADELA - PARTE 1

          Amigo é aquele que não julga. Eu já te disse. É aquele que abre a porta ao mendigo, à sua muleta, à sua bengala encostada num canto e não lhe peças que dance para julgar sua dança. E se o mendigo narra a primavera sobre a estrada lá fora, o amigo é aquele que recebe nele a primavera. E, se descreve o horror da fome na aldeia donde vem, sofre com ele a fome. Pois já te disse, o amigo no homem é a parte dedicada a ti e que te abre uma porta que não abre nunca a outro. E teu amigo é confiável e tudo que ele diz é verdadeiro, e ele te ama mesmo que te odeie em uma outra casa. E o amigo no templo, aquele que, graças a Deus, eu acotovelo e encontro, é aquele que volta para mim a mesma face que a minha, iluminada pelo mesmo Deus, pois então a unidade é feita, mesmo que lá fora ele seja comerciante e eu seja comandante, ou seja jardineiro e eu seja marinheiro ao mar. Acima de nossas divisões eu o encontrei e sou seu amigo. E posso me calar ao seu lado, ou seja, não temer pelos meus jardins interiores e minhas montanhas e minhas ravinas e meus desertos, porque ele não passeará por lá suas botas. Você, meu amigo, o que recebe de mim com amor é como se fosse o embaixador de meu império interior. E o tratas bem e o faz sentar e o escutas. E estamos felizes. Alguma vez, ao receber embaixadores, acaso me viste mantê-los à distância ou despedi-los, porque lá no fundo do império deles, a mil dias de marcha do meu, as pessoas se alimentam de iguarias que não me agradam ou porque os costumes deles não são os meus? A amizade é antes de tudo a trégua e a grande circulação do espírito acima dos pormenores vulgares. E eu não censuro nada àquele que se senta na cabeceira da minha mesa.
                Pois saiba que a hospitalidade e a cortesia e a amizade são encontros do homem dentro do homem. Que iria eu fazer no templo de um deus que discutisse a altura ou a apresentação dos seus fiéis, ou na casa de um amigo que não aceitasse minhas muletas e quisesse me fazer dançar para me julgar.

                Hás de encontrar muitos juízes por esse mundo afora. Quando se trata de te moldar e te endurecer, deixa essa tarefa para teus inimigos. Eles a desempenharão bem, como a tempestade que esculpe o cedro. Teu amigo é feito para te acolher. Saiba que Deus, quando vais ao templo, ele não te julga, te recebe.


sábado, 24 de fevereiro de 2018

Jean Gabin e Saint-Exupéry



Contemporâneo de Saint-Exupéry, Jean Gabin foi um ator de teatro e cinema, às vezes também cantor. Dono de uma voz forte de barítono, transmitia um timbre de masculinidade sensível e humana.
Nasceu apenas 4 anos depois de Saint-Ex, em Paris, no dia 17 de maio de 1904. Entre 1931 e o final de sua carreira, em 1976, participou de 65 filmes como ator até sua morte por leucemia em 15 de novembro de 1976.

Gravou uma canção em 1936 “Quand on se promène au bord de l'eau” (Passeando à beira do lago) e apenas 38 anos depois, em 1974, veio a gravar de novo, um poema em forma de canção, mais declamado do que cantado, e que teve grande sucesso.
A canção “Maintenant Je Sais” (Agora eu sei) fala de um homem no outono da vida, refletindo sobre tudo que aprendeu ao longo dos anos.
Uma curiosidade sobre a gravação é que foi a segunda mais vendida no ano de 1974 no “hit-parade” da província de Quebec, Canada, cuja língua oficial é o francês.

Por serem contemporâneos, Gabin e Saint-Exupéry tinham uma admiração mútua muito sincera, e várias noites varavam a madrugada nos bairros boêmios de Paris, falando da vida, do amor, literatura, aviação, cinema.
A letra da canção você vê em francês no próprio vídeo. A tradução está logo abaixo.

Quando eu era criança, ainda pequeno,
Falava alto tentando ser homem
Eu dizia, EU SEI, EU SEI, EU SEI, EU SEI

Era começo, era primavera
Mas quando cheguei aos 18 anos
Dizia, EU SEI, não há dúvida, dessa vez EU SEI

E hoje em dia, olhando para trás
Observo esse mundo por onde tanto andei
E até agora não sei o que o faz girar !

E então aos 25 anos, eu sabia tudo: o amor, as rosas, a vida, o dinheiro
Sim, certamente o amor ! Eu havia passado por tudo!

E felizmente, como os amigos, havia consumido toda minha ração:
Na metade da vida, ainda pude aprender
E o que aprendi, cabe em três, quatro palavras:

“No dia que alguém te ama, tudo é lindo,
Não consigo dizer melhor, tudo é realmente lindo!

E ainda assim não consigo entender,
Agora que estou já no outono da vida
Por que esquecemos tantas noites de tristeza
Mas jamais uma manhã de ternura!

Toda minha juventude, quis dizer EU SEI
E no entanto quanto mais buscava menos sabia

E agora que o relógio já tocou 60 vezes
Me debruço à janela, observo e me digo baixinho

Desta vez EU SEI, EU SEI QUE NÃO SE SABE JAMAIS!

A vida, o amor, o dinheiro, os amigos e as rosas
Não se sabe jamais o ruído nem a cor dessas  coisas

É só isso que eu sei ! Mas isso, realmente EU SEI!

A VIDA DE SAINT-EXUPÉRY - 1

O ÚLTIMO VOO

Por volta do meio-dia daquele último dia de julho de 1944, a Riviera, em pleno verão, desfrutava de um céu sem nuvens que se estendia sobre um mar azul até as margens da Córsega. O sul da França aguardava o fim de uma paz enganadora; as tropas aliadas estavam prestes a atravessar o Mediterrâneo para libertar a Provença da ocupação alemã. Aquele tempo magnífico era uma espécie de bênção antes do início da batalha, um último presente para todos, exceto para um aviador solitário que regressava à Córsega após uma missão de reconhecimento ao longo do vale do Ródano. Os boletins meteorológicos afirmavam que, ao chegar à costa, o piloto podia contar com uma cobertura de nuvens capaz de evitar sua localização pelos pilotos de caça alemães. Mas, ao contrário do que tinha sido anunciado pelas previsões, o céu prestava-se perfeitamente bem para uma emboscada aérea.
           
            O aviador solitário era Antoine de Saint-Exupéry. Em mais de vinte anos de voo, sofrera diversos acidentes cujas consequências poderiam dar inesperada vantagem a algum eventual atacante. A sua corpulência, apertada por uma roupa volumosa, fazia-o sentir-se in­cômodo no espaço exíguo de uma cabine de pilotagem. Não con­seguia se virar para vigiar o aparecimento do inimigo sem que este movimento não lhe provocasse dores nos antigos ferimentos. Pela mesma razão, não lhe era possível utilizar para-quedas. O avião não dispunha de nenhuma arma e, em caso de perigo, a única opção de Saint-Exupéry seria aproveitar ao máximo as capacidades excep­cionais de velocidade e altitude de seu Lightning P-38 ou soçobrar com ele.

            Alguns minutos após o meio-dia, a silhueta característica do Lightning, com seus duplos estabilizadores, surgiu a oeste de Nice. O aparelho estava voando muito baixo, depois virou em direção ao mar e desapareceu na baía dos Anjos, entre Nice e Mônaco. Atrás dele, um caça alemão subiu após uma descida em picada e regressou à base.

            Os últimos momentos de Saint-Exupéry foram reconstituídos através de testemunhos visuais que sugerem que ele se desviou um pouco da rota de seu plano de voo e se encontrava abaixo da alti­tude segura de 6.000 metros, antes de seu avião submergir-se no mar. Esses detalhes permitem supor que ele teria podido escapar do ataque se não tivesse cedido, como se imagina, à irresistível nostal­gia, tema dos seus principais livros.

            Sua missão de reconhecimento fotográfico do vale do Ródano começara em Bastia, no norte da Córsega, às 8h45 daquela segunda- -feira 31 de julho. Ela o conduzira ao leste de Lyon, a apenas 60 quilômetros do castelo da família, em Saint-Maurice-de-Rémens, onde vivera o período mais feliz de sua juventude. Tantas vezes percorrera essa região antes da guerra, de carro, trem ou avião, que cada palmo do terreno até a costa mediterrânea lhe era familiar. Após um voo de observação semelhante, efetuado em 29 de junho, chamaram a atenção de Saint-Exupéry ter se desviado da rota depois de sobrevoar o lago de Annecy, uma região que lhe recordava a infância.

            Um pouco antes de sua queda no mar, três dos seus locais pre­diletos podem tê-lo levado a afastar-se um ou dois minutos de seu itinerário de regresso em direção a oeste, quando ele atingiu a Pro- vença, sua região preferida. Sua mãe morava em Cabris, no interior de Grasse. Ele a visitara pela última vez em dezembro de 1940, antes de um exílio nos Estados Unidos que duraria dois anos. Mais para oeste, encontrava-se o castelo de La Môle, perto de Saint-Tropez, ao qual seu pai fora transportado na tarde de sua morte, quando Antoine tinha 3 anos de idade. Entre esses dois locais situava-se a igreja de Agay, na qual se casara em 1931 com uma sul-americana, Consuelo Suncin.

            Com relação à duração do voo, o desvio não era significativo. Além do mais, graças a uma pequena mudança de direção para leste, Saint-Exupéry também poderia ver a vila na qual passara alguns dos momentos mais idílicos de sua vida com Consuelo. Isso tinha acontecido na época em que escrevera Voo Noturno, seu relato dos tempos heroicos da aviação pioneira na Argentina. Em 31 de julho de 1944, o terraço da vila, recoberto por uma parreira, teria sido o melhor local de observação dos últimos momentos da vida de Saint-Exupéry.


O PEQUENO PRINCIPE - PARTE 1

Uma vez, quando tinha seis anos, vi um desenho magnífico num livro chamado Histórias Vividas, sobre a floresta primitiva. Era um desenho que mostrava uma jiboia prestes a engolir um animal. Aqui vai uma cópia dele.


            No livro era dito: “As jiboias engolem suas presas por inteiro, sem nem mastigar. Depois disso elas ficam incapazes de se mover, e dormem pelos seis meses que necessitam para a digestão.” Eu então refleti profundamente acerca das aventuras da selva, e após algum trabalho com um lápis de cor, consegui fazer o meu primeiro desenho, meu Desenho Número Um. Ele era mais ou menos assim:


            Eu mostrei minha obra-prima às pessoas grandes, e perguntei se meu desenho as assustava. Mas elas me responderam: “Assustar? Por que alguém se assustaria com um chapéu?” Meu desenho não era um chapéu. Era o desenho de uma jiboia digerindo um elefante. Mas como as pessoas grandes não conseguiam entendê-lo, eu fiz um novo desenho: desenhei o interior de uma jiboia, assim as pessoas grandes poderiam ver claramente o elefante. Elas sempre precisam de explicações para as coisas. Meu Desenho Número Dois era assim:


            Desta vez as pessoas grandes me aconselharam a deixar de lado meus desenhos de jiboias, fossem elas abertas ou fechadas, e me dedicar a coisas como geografia, história, aritmética e gramática. Foi por isso que, aos meus seis anos, desisti do que poderia vir a ser uma carreira magnífica na pintura. \
Eu fui desencorajado pelos fracassos do meu Desenho Número Um e do meu Desenho Número Dois. As pessoas grandes nunca entendem nada por elas mesmas, e é muito cansativo para as crianças ficarem sempre explicando as coisas para elas.
Então eu escolhi outra profissão, e aprendi a pilotar aviões. Eu voei por todas as partes do mundo; e é verdade que a geografia acabou me sendo muito útil. De relance, posso distinguir a China do Arizona. Se alguém fica perdido no céu noturno, este conhecimento é bem valioso.
No curso desta vida eu tive muitos grandes encontros com muitas pessoas que se preocupavam com assuntos muito sérios. Eu vivi por um bom tempo entre as pessoas grandes. Eu fui muito próximo e íntimo a elas, mas tudo isso não melhorou muito a opinião que tenho delas.
Sempre que eu me encontrava com uma delas que me parecia mais lúcida à primeira vista, eu fazia um experimento: mostrava a elas o meu Desenho Número Um, que sempre carreguei comigo. Eu buscava saber se aquela era uma pessoa de compreensão verdadeira. Mas, quem quer que ela fosse, um adulto ou uma adulta, sempre me respondia:  

 “Isto é um chapéu.”  

Então eu jamais falaria com aquela pessoa sobre jiboias, ou florestas primitivas, ou estrelas. Eu precisava descer ao seu nível de compreensão. Eu conversaria com ela sobre jogos de cartas, e golfe, e política, e gravatas. E a pessoa grande ficava encantada em conhecer um homem tão refinado.
            

Charles Aznavour

Charles Aznavour (Paris, 22 de maio de 1924) é um cantor francês de origem armênia, também letrista e ator.
Além de ser um dos mais populares e longevos cantores da França, ele é também um dos cantores franceses mais conhecidos no exterior. Ele atuou em mais de 60 filmes, compôs cerca de 850 canções (incluindo 150 em inglês, 100 em italiano, 70 em espanhol e 50 em alemão) e já vendeu bem mais que 100 milhões de discos. Aznavour começou sua turnê global de despedida no fim de 2006. Após obter a cidadania armênia em dezembro de 2008, Aznavour aceita em 12 de fevereiro de 2009 se tornar embaixador da Armênia na Suíça.[1] O anúncio oficial dessa nominação foi feito em 6 de maio de 2009.
Aznavour teve uma longa e variada carreira paralela como ator, aparecendo em mais de 60 filmes. Em 1960, Aznavour estrelou Atirem no Pianista, de François Truffaut, no papel do personagem Édouard Saroyan. Também teve uma performance aclamada em 1974, no filme O Caso dos Dez Negrinhos, e teve um importante papel de coadjuvante no filme O Tambor, de 1979, vencedor do Academy Award de melhor filme em língua estrangeira em 1980. Em 2002 estrelou o filme Ararat, interpretando Edward Saroyan, um cineasta.
Aznavour nasceu Shahnour Vaghinagh Aznavourian (em armênio: Շահնուր Վաղինակ Ազնավուրյան), filho dos imigrantes armênios Michael e Knar Aznavourian. Seus pais, que eram artistas, o introduziram ao mundo do teatro em tenra idade.
Ele começou a atuar aos nove anos de idade e logo assumiu o nome artístico Charles Aznavour. Seu grande estouro aconteceu quando a cantora Édith Piaf o ouviu cantar e o levou consigo numa turnê pela França e pelos Estados Unidos.
Frequentemente descrito como o Frank Sinatra da França, Aznavour canta principalmente o amor. Ele escreveu musicais e mais de mil canções, gravou mais de 100 álbuns e apareceu em 60 filmes, incluindo Atirem no Pianista e O Tambor. Aznavour canta em muitas línguas (francês, inglês, italiano, espanhol, alemão, russo, armênio e português), o que o ajudou a se apresentar no Carnegie Hall e noutras casas de espetáculos mundo afora. Ele gravou pelo menos uma canção do poeta Sayat Nova, do século XVIII, em armênio. "Que c'est triste Venise", cantada em francês, em italiano ("Com'è triste Venezia"), espanhol ("Venecia sin tí"), inglês ("How sad Venice can be", "The Old-Fashioned Way") e alemão ("Venedig im Grau") estão entre as mais famosas canções poliglotas de Aznavour. Nos anos 1970, Aznavour tornou-se um grande sucesso no Reino Unido, onde sua canção "She" saltou para o número um nas paradas de sucessos.
Admirador do Quebec, ele tem ajudado a carreira da cantora e letrista quebequense Lynda Lemay na França, e tem uma casa em Montréal.
Desde o terremoto de 1988, na Armênia, Aznavour tem ajudado o país através de sua obra de caridade: a Fondation Aznavour Pour L'Arménie ("Fundação Aznavour para a Armênia"). Há uma praça com seu nome na cidade de Erevan, na rua Abovian. Aznavour é membro da Câmara Internacional do Fundo de Curadores da Armênia. A organização tem arrecado mais de 150 milhões de dólares em ajuda humanitária e assistência de desenvolvimento de infraestrutura para a Armênia desde 1992. Charles Aznavour foi nomeado como "Officier" (Oficial) da Légion d'Honneur em 1997.
Em 1988, Charles Aznavour foi eleito "artista do século" pela CNN e pelos usuários da Time Online espalhados pelo mundo. Aznavour foi reconhecido como notável performer do século com cerca de 18% da votação total, desbancando Elvis Presley e Bob Dylan. Após a morte de Frank Sinatra, Charles Aznavour é o último dos crooners tradicionais.
A lista de artistas que já cantaram Aznavour abrange de Fred Astaire a Bing Crosby, de Ray Charles a Liza Minelli. Elvis Costello gravou "She" para o filme Notting Hill. O tenor Plácido Domingo é um grande amigo de Aznavour e frequentemente canta seus hits, principalmente a versão de Aznavour de Ave Maria, de 1994.
No início do outono de 2006, Aznavour iniciou sua turnê de despedida, apresentando-se nos Estados Unidos e no Canadá, deixando ótimas lembranças. Em 2007, Aznavour fez concertos no Japão e no resto da Ásia. Com mais de oitenta anos de idade, Aznavour demonstra excelente saúde. Ele ainda canta em várias línguas e sem teleprompters, mas tipicamente canta apenas em duas ou três - francês e inglês são as duas primárias - espanhol e italiano em terceiro lugar, durante a maioria dos concertos. Em 30 de setembro de 2006, Aznavour apresentou-se num grande concerto em Erevan, capital da Armênia, como estreia da série "Armênia, minha amiga" na França. O presidente armênio Robert Kocharian e o presidente francês Jacques Chirac, à época em visita oficial à Armênia, estavam na primeira fila.
Curiosidades
·         Aznavour sempre foi consciente de sua baixa estatura — 1,60 m. No entanto ele desenvolveu uma tremenda presença de palco e comando.
·         A alcunha de Aznavour é Charles Aznavoice (Aznavoz), usado tanto por críticos quanto afetivamente por alguns fãs.
·         Seu nome serviu de inspiração para o personagem Char Aznable da mais importante série de ficção científica japonesa, Mobile Suit Gundam. No Japão, é um dos personagens de anime mais cultuados da história.

·         Charles participou de um episódio da primeira temporada do The Muppet Show.

Jacques Brel - Ne me quittes pas


Ne me quitte pas
Il faut oublier
Tout peut s'oublier
Qui s'enfuit deja
Oublier le temps
Des malentendus
Et le temps perdu
A savoir comment
Oublier ces heures
Qui tuaient parfois
A coups de pourquoi
Le coeur du bonheur
Ne me quitte pas (4 fois)


Moi je t'offrirai
Des perles de pluie
Venues de pays
Où il ne pleut pas
Je creuserai la terre
Jusqu'apres ma mort
Pour couvrir ton corps
D'or et de lumière
Je ferai un domaine
Où l'amour sera roi
Où l'amour sera loi
Et je serai reine
Ne me quitte pas (4 fois)


Ne me quitte pas
Je t'inventerai
Des mots insensés
Que tu comprendras
Je te parlerai
De ces amants là
Qui ont vu deux fois
Leurs coeurs s'embraser
Je te racont'rai
L'histoire de ce roi
Mort de n'avoir pas
Pu te rencontrer
Ne me quitte pas (4 fois)


On a vu souvent
Rejaillir le feu
De l'ancien volcan
Qu'on croyait trop vieux
Il est paraît-il
Des terres brûlées
Donnant plus de blé
Qu'un meilleur avril
Et quand vient le soir
Pour qu'un ciel flamboie
Le rouge et le noir
Ne s'épousent-ils pas
Ne me quitte pas (4 fois)


Ne me quitte pas
Je ne vais plus pleurer
Je ne vais plus parler
Je me cacherai là
À te regarder
Danser et sourire
Et à t'écouter
Chanter et puis rire
Laisse-moi devenir
L'ombre de ton ombre
L'ombre de ta main
L'ombre de ton chien
Ne me quitte pas (4 fois

TRADUÇÃO

Não me deixes mais
É necessário esquecer
Tudo pode ser esquecido
O que ficou pra trás
Esquecer o tempo
Dos mau entendidos
O tempo perdido
Saber como
Esquecer as horas
Que matavam às vezes
A golpes de porque
O coração da felicidade
Não me deixes mais, não me deixes mais, não me deixes

Te oferecerei
Pérolas de chuva
Vindas de um país
Onde não chove
Revolverei a terra
Muito além da minha morte
Para cobrir o teu corpo
De ouro e luz
Farei um reino
Onde o amor será rei
Onde o amor será lei
E tu reinarás
Não me deixes mais, não me deixes mais, não me deixes

Não me deixes mais
Que eu inventarei
Palavras sem nexo
E tu compreenderas
Pra falar
De amantes
Que por muitas vezes
Sentiram seu próprio coração queimar
Eu vou te contar
A história de um rei
Que morreu tão triste
Por nunca te encontrar
Não me deixes mais, não me deixes mais, não me deixes

Dizem que é comum
Renascer o fogo
De um velho vulcão
Que não arde mais
Também já se viu
Em terras destruidas
Renascer mais trigo
Que no melhor abril
E pra se inflamar
Uma tarde no ar
O vermelho e o negrOr
Não se casam jamais
Não me deixes mais, não me deixes mais, não me deixes

Não me deixes mais
Eu não vou chorar
Não vou mais falar
Vou ficar em paz
Quero só te ver
Dançar e sorrir
Quero te ouvir
Cantar e falar
Deixa-me existir
À sombra da tua sombra
À sombra da tua mão
À sombra do teu cão
Não me deixes mais, não me deixes mais, não me deixes

Jacques Romain Georges Brel (pronúncia do nome em francês) (Schaerbeek, 8 de Abril de 1929 — Bobigny, 9 de Outubro de 1978) foi um autor de canções, compositor e cantor belga francófono. Esteve ainda ligado ao cinema de língua francesa. Tornou-se internacionalmente conhecido pela música Ne me quitte pas, interpretada e composta por ele.

Jacques Brel nasceu em 8 de Abril de 1929 no n.º 138 da avenue du Diamant em Schaerbeek, comuna de Bruxelas (Bélgica), de pai flamengo mas francófono e de mãe de sangue francês e italiano.

Ainda que em casa se falasse o francês, os Brel eram de ascendência flamenga, com uma parte da família originária de Zandvoorde, perto de Ieper. O pai de Brel era sócio de uma cartonaria e este estaria supostamente destinado a trabalhar na empresa da família.

A seguir à escola primária, onde entrou em 1935, frequentou o Colégio Saint-Louis, a partir de 1941. Aluno pouco brilhante, é neste colégio que Brel começa a mostrar interesse pelas artes: em 1944, aos 15 anos, colabora na criação do grupo de teatro, actua em várias peças, escreve três pequenas histórias e interpreta ao piano alguns improvisos para poemas que ele próprio escreveu.

Em 1946 adere a uma organização de solidariedade católica, a Franche Cordée, de ajuda aos doentes, pobres, órfãos e velhos. É aqui, e não no seu ambiente familiar ou escolar, que se inicia a sua formação cultural. Entre as actividades desta organização contava-se a realização de recitais onde Brel se iniciou nas apresentações públicas, acompanhando-se a si próprio à violão. É aqui que conhece Thérèse Michielsen ("Miche") com quem se vem a casar em 1950.

A carreira dos palcos

No início dos anos 50, não se entusiasmando pelo trabalho na fábrica de cartão do pai (dizia-se "encartonado" neste trabalho), continua a escrever canções, que vai mostrando aos amigos e cantando pelos bares de Bruxelas sempre que se proporciona.

A pequena mas sólida fama na sua terra natal proporciona-lhe a gravação em 1953, do primeiro single, um 78 rpm, contendo as canções "Il y a" e "La foire". Persistente na sua ideia de fazer carreira com as suas canções, Brel deixa o emprego, a família, a sociedade burguesa de Bruxelas (que ele viria a retratar em "Les Bourgeois") e vai tentar a sorte na capital francesa,[1] onde consegue ao fim de algum tempo ser ouvido pelo descobridor de talentos Jacques Canetti (irmão de Elias Canetti, o prémio Nobel da literatura de 1981). É apresentado no célebre cabaré parisiense Les Trois Baudets, do próprio Canneti, onde pouco tempo antes havia actuado em grande estilo Georges Brassens. Em 1959 é vedeta no Bobino em Paris e canta em Bruxelas no "L’Ancienne Belgique" com Charles Aznavour.

A segunda metade da década de 50 é passada num grande ritmo de espectáculos (chega a participar em 7 espectáculos numa única noite). Para além dos sucessos conseguidos no Olympia e no Bobino, em Paris, vai fazendo espectáculos por todo o mundo. Em 1954 é publicado o seu primeiro álbum "Jacques Brel et ses chansons". Torna-se notado por Juliette Gréco que grava uma das suas canções, "Le diable". Este encontro é marcante no futuro da carreira de Brel pois é então que se inicia uma frutuosa colaboração com Gérard Jouannest, pianista e acompanhante da cantora, e com o também pianista e orquestrador François Rauber. Em 1955 conhece Georges Pasquier ("Jojo"), percussionista no Trio Milson e de quem se torna amigo. O seu primeiro grande sucesso ocorre em 1956 com a música "Quand on a que l’amour". Em 1957 é laureado com o Grand Prix du Disque da Academia Charles Cros e a sua digressão faz grande sucesso pela França. Em 1958 Miche, a mulher, retorna a Bruxelas. Desde então ele e a família vivem vidas separadas.

Sob a influência do seu amigo "Jojo" e dos pianistas Gérard Jouannest (que o acompanhava em palco) e François Raubert (orquestrador e pianista de estúdio), o estilo de Brel foi mudando. A música tornou-se mais complexa e os temas mais diversificados. Um apurado sentido de observação, de ironia e de humor, associado à sua capacidade poética, permitiram-lhe criar temas que abordam, das mais diferentes maneiras, várias das realidades do dia a dia. Nele encontram-se canções cómicas como Les bonbons, Le lion ou Comment tuer l’amant de sa femme, mas também canções mais emotivas como Voir un ami pleurer, Fils de, Jojo. Os temas vão desde o amor com Je t’aime, Litanies pour un retour, Dulcinéa, até à sociedade com Les singes, Les bourgeois, Jaurès, passando por preocupações espirituais como em Le bon Dieu, Si c’était vrai, Fernand.

O ritmo de espectáculos anuais continua intenso, chegando a ultrapassar 365 num único ano[2] Em 1966 anuncia que irá deixar de actuar em público como cantor. Seguem-se vários espectáculos de despedida nomeadamente em Paris (Olympia) e em Bruxelas (Palais des Beaux-Arts). Apesar da insistência dos seus amigos, Brel não muda de ideias e, em 16 de Maio de 1967 dá-se a sua última actuação ao vivo em Roubaix.[3]

A carreira no teatro e no cinema

O teatro torna-se a sua primeira experiência, com a adaptação da peça "L’homme de la manche". A personagem de Dom Quixote, que desempenhava, estava bem de acordo com o seu idealismo.[4] A peça estreia em 1968 no Theatre Royal de la Monnaie, em Bruxelas e no mesmo ano no Theatre des Champs-Elysées em Paris, tendo ultrapassado as 150 representações. Entretanto volta-se para o cinema, participando durante os cinco anos seguintes como actor em mais de uma dezena de filmes e como realizador em dois deles Franz e Le Far West.[5] Após este último filme, Brel diz um novo adeus ao espectáculo, desta vez muito mais radical: deixa Paris, a França, os seus próprios afectos.

Vagueando pelo mundo

Os seus brevets aéreos e marítimos[6] abrem-lhe a porta à possibilidade de vaguear pelo mundo por ar ou por mar. Voa pela Europa qual Saint-Exupéry (mito que o acompanhava desde há muito). Em 1974, após comprar um veleiro de 19 metros decide partir com Madly Bamy que tinha conhecido na rodagem do filme L'Aventure c'est l'aventure para uma volta ao mundo de 3 anos. Em Setembro, ao aportar nos Açores, toma conhecimento do falecimento do seu grande amigo Jojo a quem vem a dedicar uma canção. Em Outubro é-lhe detectado um pequeno tumor no pulmão e no mês seguinte é efectuada a ablação do lobo pulmonar superior esquerdo. Em Dezembro, após um pequeno repouso, desloca-se ao local onde está o seu veleiro e decide prosseguir a sua viagem. Em Novembro de 1975 chega à baía de Atuona, na ilha Hiva Oa no arquipélago das Ilhas Marquesas, Polinésia Francesa.

As ilhas Marquesas

Naquelas ilhas isoladas Brel não procura o isolamento mas antes o contacto com uma realidade totalmente desconhecida, e sob certos aspectos ainda não contaminada pela "civilização". Em 1976 aluga uma pequena casa em Hiva Oa, vende o veleiro e decide adquirir um pequeno avião bimotor. Ajuda a combater o isolamento das ilhas mais remotas do arquipélago, disponibilizando o seu avião para transporte de correio ou de pessoas.

Os últimos anos

Em 1977 desloca-se a Paris, onde grava discretamente em estúdio doze canções das 17 que havia escrito, e que virão a integrar o seu último álbum, esperado há mais de 10 anos, e chamado, simplesmente, "Brel".[7] Gravado nas difíceis condições físicas e psicológicas de Brel que se podem antever, torna-se perturbador ler as últimas palavras da sua canção “Les Marquises”: "Veux-tu que je te dise / Gémir n'est pas de mise / Aux Marquises"(trad:"Se queres que te diga/Gemer não é opção/Nas Marquesas"). O disco teve um sucesso imediato: apesar de Brel ter pedido que não houvesse publicidade, mais de um milhão de exemplares estavam reservados antes da edição e setecentos mil foram adquiridos logo no primeiro dia da sua venda ao público. Alheio a esse sucesso volta à ilha pela penúltima vez. Em 1978 a saúde começa-se a degradar e retorna a Paris em Julho para novos tratamentos. Em Outubro é internado no Hospital com uma embolia pulmonar, vindo a falecer com 49 anos, às 4 e 10 da madrugada do dia 9 de Outubro de 1978.[8] O regresso a Hiva Oa, dá-se uma última vez: Jacques Brel é sepultado no cemitério local.