Hoje é a tela brasileira mais
valorizada no mundo, tendo alcançado o valor de US$ 2,5 milhões, pago pelo
colecionador argentino Eduardo Costantin em 1995 em leilão realizado na
Christies. Anteriormente pertencia ao empresário brasileiro Raul Forbes desde
1985.
Foi pintada em óleo sobre tela em 1928
por Tarsila do Amaral como presente de aniversário ao escritor Oswald de
Andrade, seu marido na época. O nome da obra foi conferido por ele e
pelo poeta Raul Bopp,
que indagou a Oswald ao ver o quadro: "Vamos fazer um movimento em torno
desse quadro?" Os dois escritores escolheram um nome
para a obra, que veio a ser Abaporu,
que vem dos termos em tupi aba (homem), pora (gente) e ú (comer), significando "homem que
come gente" . E também é
uma referência para a criação da Antropofagia modernista brasileira, ou Movimento Antropofágico, que se propunha a
deglutir a cultura estrangeira e adaptá-la ao Brasil.
Tarsila
do Amaral (Capivari, 1 de setembro de 1886 — São Paulo, 17 de janeiro de 1973) foi uma pintora, desenhista e tradutora brasileira e uma das figuras centrais da pintura
e da primeira fase do movimento modernista no Brasil, ao lado de Anita
Malfatti. Seu quadro Abaporu,
de 1928, inaugura o movimento antropofágico nas artes plásticas.
Nascida em
1º de setembro de 1886, em Capivari,
interior de São Paulo,
era filha de José Estanislau do Amaral Filho e de Lídia Dias de Aguiar, e neta
de José Estanislau do Amaral, cognominado “o milionário” em virtude da imensa
fortuna acumulada em fazendas do interior paulista.
Seu pai
herdou a fortuna e diversas fazendas, onde Tarsila e seus sete irmãos passaram
a infância. Desde criança, fazia uso de produtos importados franceses e foi
educada conforme o gosto do tempo. Sua primeira mestra, a belga Mlle. Marie van
Varemberg d’Egmont, ensinou-lhe a ler, escrever, bordar e falar francês. Sua
mãe passava horas ao piano e contando histórias dos romances que lia às
crianças. Seu pai recitava versos em francês, retirados dos numerosos volumes
de sua biblioteca.
Tarsila era
tia do geólogo Sérgio Estanislau do Amaral.
Estudos em São Paulo e
Barcelona
Tarsila do
Amaral estudou em São Paulo, em colégio de freiras do bairro de Santana e no Colégio Sion.
E completou os estudos em Barcelona,
na Espanha,
no Colégio Sacré-Coeur.
Primeiro casamento e
maternidade
Ao chegar da
Europa, em 1906, casou-se com o médico André Teixeira Pinto, seu noivo.
Rapidamente o primeiro casamento da artista chegou ao fim. A diferença cultural
do casal era grande. O marido se opunha ao desenvolvimento artístico de
Tarsila, já que ele era conservador e, para os homens da época, a mulher só
deveria cuidar do lar. Revoltada com essa imposição, ela se separa, mas só
conseguiu a anulação do casamento anos depois. Com ele teve sua única filha, a
menina Dulce, nascida no mesmo ano do casamento. Tarsila se separou logo após o
nascimento da filha e voltou a morar com os pais na fazenda, levando Dulce.
Início da carreira
Começou a
aprender pintura em 1917, com Pedro Alexandrino Borges. Mais tarde, estudou com o alemão George Fischer Elpons. Em 1920, viaja a Paris e frequenta a Academia
Julian, onde desenhava nus e modelos vivos intensamente. Também estudou
na Academia de Émile Renard.
Apesar de
ter tido contato com as novas tendências e vanguardas, Tarsila somente aderiu
às ideias modernistas ao voltar ao Brasil, em 1922. Numa confeitaria
paulistana, foi apresentada por Anita
Malfatti aos
modernistas Oswald de
Andrade, Mário de Andrade e Menotti Del Picchia. Esses novos amigos
passaram a frequentar seu atelier, formando o Grupo dos Cinco.
Em janeiro
de 1923, na Europa , Tarsila se uniu a Oswald de Andrade e o casal viajou por
Portugal e Espanha. De volta a Paris, estudou com os artistas cubistas:
frequentou a Academia de Lhote, conheceu Pablo Picasso e tornou-se amiga do
pintor Fernand Léger, visitando a academia desse mestre do cubismo, de quem
Tarsila conservou, principalmente, a técnica lisa de pintura e certa influência
do modelado legeriano.
Fases Pau-Brasil e
Antropofagia
Em 1924, em
meio à uma viagem de "redescoberta do Brasil" com os modernistas
brasileiros e com o poeta franco-suíço Blaise
Cendrars, Tarsila iniciou sua fase artística “Pau-Brasil”, dotada de
cores e temas acentuadamente tropicais e brasileiros, onde surgem os
"bichos nacionais"(mencionados em poema por Carlos Drummond de Andrade), a exuberância
da fauna e da flora brasileira, as máquinas, trilhos, símbolos da modernidade
urbana.
Casou-se com
Oswald de Andrade em 1926 e, no mesmo ano, realizou sua primeira exposição
individual, na Galeria Percier, em Paris. Em 1928, Tarsila pinta o Abaporu,
cujo nome de origem indígena significa "homem que come carne humana",
obra que originou o Movimento Antropofágico, idealizado pelo
seu marido.
A
Antropofagia propunha a digestão de influências estrangeiras, como no ritual
canibal (em que se devora o inimigo com a crença de poder-se absorver suas
qualidades), para que a arte nacional ganhasse uma feição mais brasileira.
Em julho de
1929, Tarsila expõe suas telas pela primeira vez no Brasil, no Rio de Janeiro.
Nesse mesmo ano, em virtude da quebra da Bolsa de Nova York, conhecida como a Crise de 1929,
Tarsila e sua família de fazendeiros sentem no bolso os efeitos da crise do
café e Tarsila perde sua fazenda. Ainda nesse mesmo ano, Oswald de Andrade
separa-se de Tarsila porque ele se apaixonou e decidiu se casar com a
revolucionária Patrícia Galvão, conhecida como Pagu. Tarsila sofre demais
com a separação e com a perda da fazenda, o que a leva a entregar-se ainda mais
a seu trabalho no mundo artístico.
Em 1930,
Tarsila conseguiu o cargo de conservadora da Pinacoteca do Estado de São Paulo.
Deu início à organização do catálogo da coleção do primeiro museu de arte
paulista. Porém, com o advento da ditadura de Getúlio
Vargas e com a queda
de Júlio Prestes,
perdeu o cargo.
Viagem à URSS e fase
social
Em 1931, Tarsila vendeu
alguns quadros de sua coleção particular para poder viajar à União Soviética com seu novo marido, o psiquiatra
paraibano Osório César,
que a ajudaria a se adaptar às diferentes formas de pensamento político e
social. O casal viajou a Moscou, Leningrado, Odessa, Constantinopla, Belgrado e Berlim.
Logo estaria novamente em Paris, onde Tarsila sensibilizou-se com os problemas
da classe operária. Sem dinheiro, trabalhou como operária de construção,
pintora de paredes e portas. Logo conseguiu o dinheiro necessário para voltar
ao Brasil. Com a crise de 1929, ela perdera praticamente todos os seus bens e
sua fortuna.
No Brasil,
por participar de reuniões políticas de esquerda e pela sua chegada após viagem
à URSS, Tarsila é
considerada suspeita e é presa, acusada de subversão.
Em 1933, a partir do quadro
“Operários”, a artista inicia uma fase de temática mais social, da qual são
exemplos as telas Operários e Segunda
Classe. Em meados dos anos 30, o escritor Luiz Martins, vinte anos mais
jovem que Tarsila, torna-se seu companheiro constante, primeiro de pinturas
depois da vida sentimental. Ela se separa de Osório e se casa com Luiz, com
quem viveu até os anos 50.
A partir da
década de 40, Tarsila passa a pintar retomando estilos de fases anteriores.
Expõe nas 1ª e 2ª Bienais de São Paulo e ganha uma retrospectiva no Museu de Arte Moderna de São Paulo (MAM) em 1960. É tema de sala
especial na Bienal de São Paulo de 1963 e, no ano seguinte, apresenta-se na
32ª Bienal de Veneza.
Últimas décadas: 1960 e
1970
Em 1965, separada de Luís e
vivendo sozinha, foi submetida a uma cirurgia de coluna,
já que sentia muitas dores, e um erro médico a deixou paralítica, permanecendo
em cadeira de rodas até seus últimos dias.
Em 1966, Tarsila perdeu sua
única filha, Dulce, que faleceu de um ataque de diabetes,
para seu desespero. Nesses tempos difíceis, Tarsila declara, em entrevista, sua
aproximação ao espiritismo.
A partir
daí, passa a vender seus quadros, doando parte do dinheiro obtido a uma
instituição administrada por Chico Xavier,
de quem se torna amiga. Ele a visitava, quando de passagem por São Paulo e ambos mantiveram correspondência.
Tarsila do
Amaral, a artista-símbolo do modernismo brasileiro, faleceu no Hospital da
Beneficência Portuguesa, em São Paulo, em 17 de janeiro de 1973 devido a depressão[carece de fontes].
Foi enterrada no Cemitério da Consolação de vestido branco, conforme seu
desejo.
Obras
·
Pátio com Coração de Jesus (Ilha de
Wright) - 1921
·
A Espanhola (Paquita) - 1922
·
Chapéu Azul - 1922
·
Margaridas de Mário de Andrade -
1922
·
Árvore - 1922
·
O
Passaporte (Portrait de femme) - 1922
·
Retrato de Oswald de Andrade - 1922
·
Retrato de Mário de Andrade - 1922
·
Estudo (Nu) - 1923
·
Manteau Rouge - 1923
·
Rio de Janeiro - 1923
·
A Negra - 1923
·
Caipirinha - 1923
·
Estudo (La Tasse) - 1923
·
Figura em Azul (Fundo com laranjas)
- 1923
·
Natureza-morta com relógios - 1923
·
O Modelo - 1923
·
Pont Neuf - 1923
·
Rio de Janeiro - 1923
·
Retrato azul (Sérgio Milliet) -
1923
·
Retrato de Oswald de Andrade - 1923
·
Autorretrato - 1924
·
São Paulo (Gazo) - 1924
·
A Cuca - 1924
·
São Paulo - 1924
·
São Paulo (Gazo) - 1924
·
A Feira I - 1924
·
Morro da Favela - 1924
|
·
Carnaval em Madureira - 1924
·
Anjos - 1924
·
EFCB (Estrada de Ferro Central do Brasil) - 1924
·
O Pescador - 1925
·
A Família - 1925
·
Vendedor de Frutas - 1925
·
Paisagem com Touro I - 1925
·
A Gare - 1925
·
O Mamoeiro - 1925
·
A Feira II - 1925
·
Lagoa Santa - 1925
·
Palmeiras - 1925
·
Romance - 1925
·
Sagrado Coração de Jesus I - 1926
·
Religião Brasileira I - 1927
·
Manacá - 1927
·
Pastoral - 1927
·
A Boneca - 1928
·
O Sono - 1928
·
O Lago - 1928
·
Calmaria I - 1928
·
Distância - 1928
·
O Sapo - 1928
·
O Touro - 1928
·
O Ovo (Urutu) - 1928
·
A Lua - 1928
·
Abaporu - 1928
·
Cartão Postal - 1928
·
Antropofagia - 1929
·
Calmaria II - 1929
·
Cidade (A Rua) - 1929
·
Floresta - 1929
·
Sol Poente - 1929
·
Idílio - 1929
·
Distância - 1929
·
Retrato do Padre Bento - 1931
·
Operários - 1933
·
Segunda Classe - 1933
·
Crianças (Orfanato) - 1935/1949
·
Costureiras - 1936/1950
·
Altar (Reza) - 1939
·
O Casamento - 1940
·
Procissão - 1941
·
Terra - 1943
·
Primavera - 1946
·
Estratosfera - 1947
·
Praia - 1947
·
Fazenda - 1950
·
Porto I - 1953
·
Procissão(Painel) - 1954
·
Batizado de Macunaíma - 1956
·
A Metrópole - 1958
·
Passagem de nível III - 1965
·
Porto II - 1966
·
Religião Brasileira IV - 1970
Nenhum comentário:
Postar um comentário